Após ter retomado a liderança no mercado brasileiro de insulinas no fim de 2015, a dinamarquesa Novo Nordisk acaba de alcançar outra marca: em janeiro, confirmou seu lugar no topo de um segmento ainda mais abrangente, o de diabetes, que envolve todos os tratamentos relacionados à doença. Com participação superior a 13%, a farmacêutica passou à frente de outros nomes de peso nessa área, como Merck Serono e Eli Lilly, e é hoje a nova líder de mercado no país.
De acordo com o gerente-geral no Brasil, Allan Finkel, a Novo Nordisk superou pela primeira vez a Merck Serono em julho passado, segundo dados da consultoria IMS Health, e confirmou essa posição em janeiro, considerando-se o acumulado em 12 meses. Agora, a meta é manter-se nessa posição, sobretudo a partir do lançamento de medicamentos no mercado doméstico de diabetes, que movimentou cerca de R$ 2,5 bilhões em 2015 conforme a IMS Health.
No ano passado, conta o executivo, as vendas no Brasil cresceram “dois dígitos bastante consolidados” – comparativamente a alta de 8% em volume das vendas da indústria no varejo farmacêutico nacional e de 4% na receita líquida global da companhia, para mais de US$ 16 bilhões. Conforme Finkel, o mercado privado deu a maior contribuição para esse desempenho e o carro-chefe foi o Victoza, usado no tratamento de diabetes tipo 2.
Um novo estudo clínico, publicado no ano passado e que envolveu mais de 900 pacientes no Brasil (cerca de 10% do total), mostrou que o Victoza foi capaz de reduzir o risco de complicações cardiovasculares graves, o que alavancou as vendas. Com o reposicionamento do produto, explica Finkel, as vendas alcançaram o melhor momento desde seu lançamento em 2012.
Em 2017, um dos grandes motores de crescimento das vendas no país deve ser o Saxenda, medicamento usado no tratamento da obesidade que chegou ao mercado brasileiro no ano passado. Globalmente, o Saxenda registrou crescimento anual de 245% em vendas em 2016. “As vendas aqui já estão superando as dos Estados Unidos”, afirma o executivo.
Outra aposta da Novo Nordisk é o Tresiba, insulina de longa duração que no ano passado obteve aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também para tratamento de diabetes tipo 1 em crianças a partir de um ano de idade. Em adultos, houve redução de 40% nos episódios de hipoglicemia severa, segundo o laboratório, justamente por causa da ação ultra-longa.
De acordo com o executivo, a Novo Nordisk vai trabalhar para ampliar as vendas desse tratamento no mercado público, uma vez que a característica de longa duração (até 42 horas) também diminui o número de doses necessárias, com redução de gasto. Alguns Estados já estão comprando o medicamento. “Vamos consolidar essa posição em 2017. Já sentimos alguma recuperação na economia e esse momento de inflexão representa uma grande oportunidade de investimento no país”, afirma.
Ao mesmo tempo em que a Novo Nordisk consolidou sua liderança no mercado brasileiro, Finkel foi escolhido entre seus pares – o laboratório conta com mais de 75 gerentes gerais em todo o mundo – o melhor da farmacêutica em sua posição. A premiação ocorreu no fim do ano passado, na Dinamarca, e coroa a história recente de crescimento da farmacêutica,
que durante alguns anos perdeu a liderança do mercado nacional de insulinas (para retomá-la em 2015). “Esse é um prêmio para todos os funcionários e leva em conta os resultados alcançados e como foram atingidos”, diz.
Fonte: Valor Econômico
