Com produção equivalente a cerca de um terço do mercado brasileiro de medicamentos genéricos, o laboratório Prati-Donaduzzi prevê alcançar em 2016 a marca de R$ 1 bilhão em faturamento líquido, frente a R$ 770 milhões no ano passado. A consolidação da empresa no varejo farmacêutico – hoje mais relevante do que as vendas ao governo – e o início de operação da nova fábrica dão suporte à meta arrojada, disse ao Valor o presidente Eder Maffissoni.
Fusões e aquisições não estão no radar da empresa, apesar dos inúmeros rumores de que há ativos à venda no mercado de genéricos. No passado, a Prati chegou a ser procurada por outros laboratórios, mas não levou adiante nenhuma conversa e, atualmente, mantém a aposta em crescimento orgânico.
Sediada em Toledo, no interior do Paraná, a Prati-Donaduzzi opera um parque industrial de 65 mil metros quadrados de área construída. Ali, foram investidos R$ 150 milhões em uma nova unidade de produção, que entrou em operação em abril e ampliou a capacidade produtiva de medicamentos sólidos em 50%. Com isso, a produção que era de 11 bilhões de doses terapêuticas por ano chegará a mais de 18 bilhões de doses, para um mercado de 32 bilhões de doses anuais.
Ao mesmo tempo em que investia em capacidade produtiva, um gargalo que vinha impedindo a aceleração do crescimento dos negócios, a farmacêutica profissionalizou a gestão, em processo que teve início com a contratação de Maffissoni inicialmente como vice-presidente. Fundador da empresa, o farmacêutico Luiz Donaduzzi deixou a presidência da empresa e do conselho de administração. Hoje, está à frente do colegiado apenas.
Um dos focos nessa fase de transição foi equilibrar as receitas entre varejo e mercado público. Neste ano, 46% das receitas devem ser geradas em negócios com o governo, e 54% em vendas em farmácias e drogarias. “Essa tendência deve se manter, com crescimento forte em varejo”, diz o executivo. Hoje, o laboratório tem 40 mil clientes ativos e atende e atende 100% das farmácias brasileiras, embora esteja presente há apenas dois anos nas grandes redes. E a meta é ampliar participação nessas redes.
O cenário macroeconômico, de acordo com Maffissoni, afetou as margens da indústria farmacêutica, mas o crescimento das vendas foi preservado e, para garantir o ritmo de expansão, o laboratório tem se concentrado no nível dos serviços ao cliente e rapidez de entrega. Para tanto, tem uma transportadora própria para distribuição de seus medicamentos e persegue meios mais eficientes de produção. A nova fábrica, “extremamente automatizada”, contribui também com escala para diluição de custos.
Do lado dos descontos – o nível de descontos em genéricos supera os 50% -, a crise econômica levou os laboratórios a revisarem suas políticas. “Temos visto nos últimos sete ou oito meses um reposicionamento de preços, com redução dos descontos no mercado em geral”, conta o executivo.
Hoje, a Prati-Donaduzzi tem um portfólio com 160 genéricos registrados e 70 produtos aguardando registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que devem ser lançados até 2018. A virada de ano do laboratório foi agitada no que diz respeito ao atendimento a normas da agência. Os problemas começaram em novembro, quando a Anvisa suspendeu a venda e o uso de 17 de seus medicamentos, sob o argumento de que irregularidades nas implementações pós-registro.
Dois meses depois, diversos lotes de diclofenaco sódico, estolato de eritromicina e nimesulida também foram suspensos, sob a justificativa de fabricação em desacordo com o registro na agência. “A decisão ocorreu porque a empresa alterou o processo de produção (…) sem a avaliação prévia da agência”, informou a agência à época.
Mais recentemente, um lote do vermífugo Albendazol foi suspenso, após a obtenção de resultado insatisfatório em ensaio realizado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). De acordo com Maffissoni, hoje todos os medicamentos do laboratório estão regularizados. “A cada ano a Anvisa se torna mais rigorosa. e isso confere respeito ao mercado farmacêutico”,
fonte: Valor Econômico
